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CINCO DIAS NA FLÓRIDA CENTRAL - QUARTO DIA!

Este post faz parte de uma série de cinco dias na Flórida, vividos e relatados aqui por nossa colaboradora Victória Bernardes. Para ver o post anterior, clique aqui!

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Com uma oferta incrível de pontos turísticos incomuns na Flórida Central, ficar apenas em uma acomodação não combinava com as escolhas para os próximos dias. Por isso, decidi que era hora do check-out! Carreguei o carro com as malas e parti para a rota que me levaria a um local de contemplação com 90 anos de idade.

Localizado em Lake Wales está o Bok Tower Gardens, um dos maiores jardins dos Estados Unidos projetado em 1929 por Edward Bok, um imigrante chegado aos Estados Unidos de Den Helder, na Holanda, com apenas 6 anos de idade. Esforçou-se para aprender inglês e tornou-se um editor de livros de sucesso e um autor que ganhou um Prêmio Pulitzer. Além disso, é conhecido até hoje por seus feitos humanitários e sua luta pelo paz mundial.

A entrada é bem simples e até desanima, mas acabou concretizando-se na promessa de um destino de contemplação por ser realmente um santuário de paz e belezas naturais. Aqui também tem um museu, com um acervo incrível, o Pinewood Estate e a Torre que Canta.

Começando do início. De onde surgiu a ideia de criar um espaço como Bok Tower Gardens?

Edward Bok tinha em mente que gostaria de projetar um lugar que “tocasse a alma com sua beleza e tranquilidade” e achou a oportunidade perfeita em Iron Mountain ou Montanha de Ferro, um dos pontos mais altos da Flórida próximo ao lago Lake Wales, onde passava a temporada de inverno. Comprou terras e transformou-as em uma extensa paisagem de jardins exuberantes com uma majestosa torre que chamou de Torre que Canta, que preserva um carrilhão de 60 sinos.

Bok Tower Gardens foi entregue ao público norte-americano em 1º de fevereiro de 1929 como um verdadeiro presente holandês e, originalmente, era chamado de Mountain Lake Sanctuary e Torre que Canta.

Logo na segunda entrada, a vibração da propriedade já nos encoraja através de um frase no portal: “make you the world a bit better or more beautiful because you have lived in it” que, em tradução literal diz: faça do mundo um pouco melhor ou mais bonito, porque você vive nele. Foi a mãe de Edward Bok quem disse e norteia até hoje a missão de todos os colaboradores e funcionários do local.

Portal do Bok Tower Gardens. Foto: Victória Bernardes

Portal do Bok Tower Gardens. Foto: Victória Bernardes

Para entender do que se trata o jardim, a Torre que Canta e Pinewood Estate, é necessário ter como ponto de partida o Visitor Center, ou a administração e museu do local. Por ali, podemos assistir a um documentário de 15 minutos que traz para perto dos visitantes a história e os significados do que será encontrado.

Fotos: Victória Bernardes

Pinewood Estate é uma mansão de 20 quartos, construída nos anos 1930 no estilo mediterrâneo e servia de “casa de retiro” do vice-presidente da siderúrgica Bethlehem Steel, Charles Austin Buck. A empresa era dedicada a construção naval e foi a principal entre as mais de 20 corporações do ramo. Todo o mobiliário é preservado desde a construção da propriedade, tal como os jardins.

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Fotos: Visit Central Florida

A Torre que Canta preserva um instrumento musical chamado Carillon. Com pelo menos 23 sinos de bronze precisamente afinados e alinhados em progressão cromática, proporciona arranjo musical ímpar, de sons de cinco ou seis oitavos. Seu peso é tamanho, que faz com que seja um dos maiores instrumentos musicais do mundo e é tocado através de um teclado ligado por fios verticais e horizontais aos sinos, e as teclas são pressionadas pelas mãos e pés do músico.

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Mostrarei mais fotos abaixo!

A Torre que Canta possui pouco mais de 56 metros de altura e foi projetada por Milton B. Medary e elaborada pelo famoso escultor de pedra Lee Lawrie. É toda construída de mármore e possui uma pesada porta de ferro que a separa do mundo real. Hoje, apenas pessoas autorizadas podem entrar, mas podemos ter uma ideia do interior. No andar térreo, há uma pequena sala com lareira, móveis antigos e piso de cerâmica. O que nos leva ao segundo nível é uma escada de ferro ou um elevador elétrico original da marca Otis e, por lá, encontram-se arquivos, documentos, correspondências, planos, fotografias e objetos históricos de Bok Tower Gardens.

O terceiro andar resguarda equipamentos mecânicos e um antigo tanque d’água que servia para irrigar os jardins, e o quarto é utilizado pelas equipes de manutenção quando é necessário trabalhar na infraestrutura da torre. No quinto nível está a Biblioteca Anton Brees Carillon, onde estão muitos livros de Edward Bok e a maior coleção de história e música de carillon do mundo, incluindo o Guia para Carillonneurs (em tradução literal: guia para tocadores de carillon) com Arquivos da América do Norte e a coleção do compositor Ronald Barnes. No sexto andar está um pequeno escritório para gravações dos concertos e um carillon menor para ensaios, e no sétimo está o famoso instrumento musical que origina o nome da Torre, com 60 sinos posicionados nas quatro varandas, o que garante que todo o jardim escute a música, todos os dias, às 13h e 15h. No oitavo nível e último andar estão posicionadas oito estatuetas de garça, também esculpidas em mármore.

Ainda no Visitor Center, há um espaço dedicado a obras de arte itinerantes que retratam arquitetura, plantas, jardins e mais elementos característicos da Flórida.

Depois dessas aulas, era hora da prática!

Logo que saímos dali, é possível encontrar o River of Stone: um caminho de cascalho que apresenta plantas aéreas e que flutuam na água, as Tillandsias, uma espécie que não requer solo e absorve todos os nutrientes do ar e da água.

Foto: Victória Bernardes.

Foto: Victória Bernardes.

Uma guia importantíssima, a diretora de Marketing Erica Smith, acompanhou a visita. Ela contou que, assim que Edward Bok decidiu criar os jardins, contratou o arquiteto paisagista Frederick Law Olmsted Jr. A princípio, a ideia do Sr. Bok era ter apenas flores brancas, para realmente trazer à realidade o significado de paz. Com muito esforço, Olmsted o convenceu de que o jardim seria muito mais famoso se apresentasse a diversidade natural de muitas cores, flores e plantas. Ainda bem! Hoje, podemos ver hectares de samambaias, palmeiras, carvalhos, pinheiros, azáleas, camélia, magnólia e muito mais.

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Fotos: Visit Central Florida e Victoria Bernardes.

E se já não fosse o suficiente, Bok Tower Gardens é lar para mais de 126 espécies diferentes de aves, o que o faz ser parte do Great Florida Birding Trail, coleção de quinhentos locais na Flórida que preservam habitats de pássaros. E, além disso, muitos animais têm os jardins como sua moradia fixa!

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Fotos: Visit Central Florida

A próxima parada foi o Hammock Hollow Children’s Garden, três acres de natureza dedicado a crianças, com brincadeiras que ensinam a importância da preservação e promove conexão entre os animais, as plantas e as pessoas. Por aqui, os pequenos, acompanhados de adultos, vivenciam arte, recursos de refrigeração de água, calçadão, plantações, palco de performances e área de música e podem subir, descer, pular, escavar, construir e criar.

A coisa que mais achei fofa foi o bosque das fadas, onde foram colocadas pequenas casinhas de fadas nas árvores para alimentar a imaginação dos pequenos.

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Depois, segui para o Pollinator Garden, ou jardim polinizador, que oferece um paraíso para abelhas, borboletas, pássaros e insetos que se alimentam de pólen e néctar. Foi aqui que gravei o vídeo abaixo de uma borboletinha fazendo seu trabalho!

Ao lado fica a Kitchen Garden & Outdoor Kitchen. Assim como já sugere o nome, é uma cozinha ao ar livre que dispõe de fogão, forno de pizza a lenha, eletrodomésticos, ótima infraestrutura e mais. O local pode ser alugado para reuniões e datas comemorativas. Uma horta com ervas, vegetais, verduras e um pomar de frutas bem ao lado é para as aulas de culinária oferecidas por aqui.

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Depois de conhecer esses espaços, segui pela trilha de daria direto à Torre que Canta, e onde estão as principais desenvolvimentos de jardins de Bok Tower Gardens. A seguir, especificarei cada um:

Endangered Pland Garden, que dá vista à  Torre que Canta ! Foto: Victória Bernardes

Endangered Pland Garden, que dá vista à Torre que Canta! Foto: Victória Bernardes

Primeiro, a Spring Peak Bloom Season, uma verdadeira explosão de cores visuais durante a primavera é proporcionada por mais de 150 variedades de camélias, centenas de azáleas, orquídeas, íris e outras espécies de flores. Seguindo com Endangered Plant Garden, dedicado à vegetação rara encontrada na Flórida e risco de extinção.

As trilhas são muito íngremes e, enquanto sigo por um caminho de pedras, a Torre que Canta surge de repente. Ela foi projetada para ser exatamente assim: surpreendente! À sua frente está a Reflection Pool, ou piscina de reflexão que, não sei se propositalmente, além de refletir a torre também nos convida a mais uma oportunidade de reflexão. Seja pelos caminhos que me trouxeram até a torre, ou sobre a magnifica natureza retratada e preservada.

Ali vivem muitas espécies aquáticas, bem como carpas que podem ser alimentadas.

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A região da Torre é magnifica. Bem no portão de ferro na cor dourada, está o túmulo de Edward Bok.

O relógio de sol no lado sul da Torre foi posto em prática em 26 de outubro de 1928. O gnômon, que indica o tempo lançando uma sombra no mostrador, é feito com hastes de bronze. As horas são marcadas pelos 12 signos do zodíaco e uma tabela de correção para diferentes períodos do ano está localizada na base do relógio de sol.

Em muitos pontos existem clareiras onde podem ser realizados piqueniques, comemorações e até casamentos. A vista é incrível, então se o momento é especial, com certeza ficará mais ainda com a oportunidade de estar em um local como Bok Tower Gardens.

Fotos: Victória Bernardes e kristenmariephotog.com

É difícil pensar que foi tudo milimetricamente projetado pelo arquiteto paisagista Olmsted. Mas, quando é hora de voltar ao Visitor Center e o caminho é muito mais curto, dá para se ter a sensação.

A última parada foi o The Blue Palmetto Café, um restaurante tão contemplativo quanto qualquer elemento da propriedade. O cardápio era recheado de opções naturais e refrescantes. Fui de Chicken Salad Sandwich, um croissant recheado de frango cremoso, salada e tomate. Saudável!

Me despedi daquele local com um pouco de nostalgia. Durante todo passeio em Bok Tower Gardens, me vi agradecendo àquela natureza todas as oportunidades que estava tendo na Flórida Central, destino esse que eu também me despedia, rumo ao último dia de uma viagem incrível totalmente fora da minha zona de conforto.

Por mais que deveria ter sido a primeira parada, resolvi visitar o Centro de Informações aos Visitantes da Flórida Central para assegurar que nada estava sendo deixado para trás.

Voltei para Davenport e me deparei com uma cabana de madeira muito convidativa. Lá dentro, as paredes eram cobertas de posteres dos pontos turísticos que visitei nos quatro dias e uma área reservado ao Hall da Fama dos Esportes da Flórida Central, esse que, particularmente, chamou minha atenção. Artigos de boxe, basebol, golfe, tênis, corrida, natação, basquete e mais são preservados em homenagens a nomes como Jack Nicklaus, Arnold Palmer, Chris Evert, Frank Shorter, Rowdy Gaines, George Steinbrenner, Curt Gowdy, Otis Birdsong, Rick Barry, Michael Irvin e outros.

Fiz a volta na 101 Adventure Court depois de decidir passar o meu último dia de viagem pela Flórida na Costa Espacial Americana, famosa por inúmeros lançamentos de foguetes memoráveis, como o Apollo II. Avistei um complexo de compras com diversas lojas famosas como Ross, Target, Rue 21 e muito mais e, claro, parei, pois ninguém é de ferro!

CINCO DIAS NA FLÓRIDA CENTRAL - SEGUNDO DIA!
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Este post faz parte de uma série de cinco dias na Flórida, vividos e relatados aqui por nossa colaboradora Victória Bernardes. Para ver o post anterior, clique aqui!

Comecei o segundo dia na Flórida com um café da manhã reforçado regado a muffins, frutas e pé na estrada! Segui para o Safari Wilderness, uma propriedade de 260 acres que preserva animais e muita vegetação.

A área fica na cidade de Lakeland e detém muitos exemplares de diversos animais selvagens da Ásia, África e América do Sul. O espaço foi aberto ao público em 2012 e em 2015 foi nomeado um dos “10 Melhores Safaris nos EUA”. O local funciona das 9h às 13h e é necessário agendar o passeio.

Os carros ficam no estacionamento enquanto os visitantes seguem por uma trilha de madeira até um galpão no meio de uma área muito verde. Lá tem um espaço para lanches e, claro, uma lojinha de lembranças do local.

E, como já diz o nome, no Safari Wilderness podemos conhecer de perto muitas espécies durante um passeio em um Ford F550. Nossa guia foi a JJ (jay-jay), muito atenciosa e preocupada com a segurança de todos dentro do caminhão. A regra era clara: “motor ligado, traseiros nos assentos”!

Na primeira parada, já recebemos visitas dos curiosos avestruzes atrás de snacks, os lanchinhos que JJ trouxe em baldes. Os animais são perigosos, por isso que à medida em que se aproximavam, tínhamos que colocar os braços para dentro e apenas a guia era autorizada a alimentá-los. Curiosidade: as fêmeas têm sempre penugem cinza e os machos, preta.

Logo chegaram as lhamas, famosas cuspidoras. JJ explicou a importância de tê-las pela propriedade, pois são muito cuidadosas com filhotes e sempre tomam conta daqueles perdidos ou rejeitados.

Ainda no início do passeio era possível visualizar uma ilha com um viveiro de lêmures. Eles estavam afastados pois não gostam de ser incomodados por outros animais.

Os lêmures são tão primatas quanto nós, humanos! Todas a espécies são provenientes da ilha de Madagascar, no continente africano, inclusive os encontrados em Safari Wilderness: cauda-anelada e colarinho-marrom.

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Não se sabe ao certo como os animais chegaram ao Safari Wilderness, mas foi graças ao apaixonado por vida selvagem Lex Salisbury. Com mais de 35 anos de experiência com zoológicos na Inglaterra, na Austrália e nos Estados Unidos, Salisbury decidiu abrir a reserva depois de se frustrar com o sistema e espaços limitados de seus antigos trabalhos.

O passeio dura normalmente 3h. Confira a seguir as fotos da vida selvagem que se pode encontrar por lá!

Fotos: Victória Bernardes
Antílopes

Antílopes

Búfalos D’Água - alimentamos essas fêmeas simpaticíssimas que comem os snacks e vão embora!

Búfalos D’Água - alimentamos essas fêmeas simpaticíssimas que comem os snacks e vão embora!

Existem dois rebanhos de zebras na propriedade, e uma curiosidade importante é que praticamente todas estavam “grávidas” e já havia um “berçário” com recém-nascidas!

Mini-gado com boizinhos e vaquinhas em tamanho de bolso!

Mini-gado com boizinhos e vaquinhas em tamanho de bolso!

Os Watusis africanos são de uma espécie de rebanho, como as dos bois e das vacas, que é muito popular nos Estados Unidos

Javalis selvagens

Javalis selvagens

De volta à propriedade, é possível alimentar outros lêmures que vivem por ali. E também pude encontrar algumas figurinhas interessantes, como porquinhos-da-índia, tartaruga e um coelho. É realmente um passeio cheio de fofuras!

Alimentar os lêmures é uma atividade extra, que pode ser paga a parte. Foto:   Visit Central Florida  .

Alimentar os lêmures é uma atividade extra, que pode ser paga a parte. Foto: Visit Central Florida.

E a aventura não parou por aqui. Também é possível fazer o Safari Wilderness em cima de camelos e dromedários! Não o fiz, mas consegui alimentá-los e me encantar com o tamanho dos bichos.

A outra opção de safari é fazer todo o trajeto de camelo. Foto: Visit Central Florida.

A outra opção de safari é fazer todo o trajeto de camelo. Foto: Visit Central Florida.

Em momento oportuno, chegou o nosso almoço! Uma caixinha da rede Jimmy John’s com lanche de peito de peru, um cookies enorme e batatinhas chips acompanhadas por água ou refrigerante. Bem ao estilo americano: calórico!

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Preparados para a segunda parte do passeio? Pois eu estava muito! Assim que deixamos o Safari Wilderness, o destino foi o Westgate River Ranch Resort & Rodeo, em Haines City, uma hora e meia do Aeroporto Internacional de Orlando. Trata-se de uma estadia temática que preserva a memória dos primeiros caubóis dos Estados Unidos, inclusive com características dos nativos americanos. Você já vai entender!

Entrada da propriedade. Foto: Visit Central Florida.

Entrada da propriedade. Foto: Visit Central Florida.

A estadia do Westgate River Ranch é muito peculiar, um verdadeiro acampamento, mas com tendas de outro nível! Bem equipadas, são preparadas para o conforto: possuem ar condicionado e muitas vezes até frigobar e microondas. Estão localizadas em clareiras, onde podem ser feitos churrascos, fogueiras ou apenas reuniões ao ar livre. São três modalidades de estadia, a primeira é mais simples e o banheiro é comum. É possível contratar serviço de refeições.

Poucos sabem que a Flórida foi o berço dos primeiros caubóis norte-americanos: os Índios Seminole, os colonizadores espanhóis e os colonos estadunidenses já eram conhecidos como “Crackers” que agrupavam rebanhos no Estado. Clique em cada foto para ver as cabanas.

E para deixar tudo mais real, de acordo com Lori King, gerente de vendas do Westgate River Ranch, são contratados descendentes de nativos americanos para a construção de algumas tendas. Como é o caso das Takoda Village, um espaço super-luxo onde as cabanas tem o design das vivendas dos índios. E, cá entre nós, é muito legal!

Clique nas fotos abaixo:

A outra modalidade já nos remete aos chalés que temos em alguns resorts no Brasil, cabanas de madeira e equipadas ao mesmo nível.

Clique nas fotos abaixo:

Fotos: Visit Central Florida.

Por enquanto, a maioria dos hóspedes são americanos do sul da Flórida e ficam até dois dias na região, mas Westgate River Ranch é a acomodação obrigatória para os apaixonados de bang-bang de todo o mundo.

Agora é hora de falar sobre as atividades! Para passarem o tempo durante a estadia, o pessoal pode assistir um rodeio, brincar de tiro-ao alvo (com espingardas reais!), montar touro mecânico, passear a cavalo, saltar de tirolesa e, entre outras atividades, navegar de aerobarco pelo famoso Lago Kissimmee - essa experiência radical eu conto a seguir!

Clique nas fotos abaixo:

Fotos: Visit Central Florida.

Os aerobarcos são muito utilizados nos lagos e pântanos exatamente nos Estados Unidos. Montados sobre uma estrutura plana com um grande ventilador na popa fora da água, é manobrado por uma alavanca que movimenta os lemes e o impulsiona. Por serem muito barulhentos, é necessário utilizar fones de ouvido durante o passeio.

Assim que o barco sai da marina, dá um friozinho na barriga! Mas logo depois fica tudo bem, você se esquece do barulho e começa a relaxar com o vento no rosto e a alta velocidade. O vento pode se tonar bem frio, mesmo sob o sol. Por isso é importante levar um casaco fino para aproveitar melhor a atividade. Confira, a seguir, o vídeo em primeira pessoa!

Fotos: Visit Central Florida e Victória Bernardes

Como sempre vemos naqueles seriados americanos, eu tinha a expectativa de pessoalmente encontrar os moradores típicos dos lagos da Flórida: os jacarés! Durante o passeio de aerobarco, o que mais desejamos ver é pelo menos um desses que são considerados mascotes do Estado. Infelizmente, na ocasião eu não consegui ver nenhum, pois o clima estava muito quente e eles preferem temperaturas mais amenas ou frias. Ficam escondidos e eu vou tentar na próxima.

Por volta das 19h, o sol ainda dava as caras e já estava pronta para jantar. Dentro do Westgate River Ranch tem o restaurante principal, o Smokehouse Grill, com opções de carnes, peixes, saladas e muito mais, não deixando a desejar para nenhum tipo de público.

Fotos: TripAdvisor e Oyster.

Como você já deve ter reparado, estes passeios os mostram uma parte da Flórida que dificilmente quem não é morador vai conhecer.

Mas, principalmente para viajantes que provavelmente já conhecem o frio na barriga de montanhas-russas e guloseimas de candystores famosas, conhecer culturas nada populares, experimentar pratos típicos que contam histórias e respirar ares que ficarão para sempre gravados na memória pode ser o segredo de manter acesa a chama do desejo pelas descobertas!

E esta é a importância de pesquisar destinos alternativos, mas isso não significa deixar totalmente de lado os parques temáticos renomados, como vocês descobrirão no próximo dia.

MEDELLÍN: A FÊNIX DA AMÉRICA LATINA
Plaza Botero e Palácio de La Cultura. Foto:    Medellín Travel   .

Plaza Botero e Palácio de La Cultura. Foto: Medellín Travel.

EU FUI À COLÔMBIA DE 10 A 20 DE OUTUBRO, COMBINANDO A PARTICIPAÇÃO COMO CONFERENCISTA NO SMART CITY BUSINESS MEDELLÍN CONGRESS & EXPO, EM MEDELLÍN E UMA PASSADINHA EM CARTAGENA. NO POST ANTERIOR COMECEI A RELATAR UM POUCO SOBRE AS EXPECTATIVAS PARA ESSA VIAGEM.

Obra de Fernando Botero no Parque San Antonio. Foto:    Medellín Travel   .

Obra de Fernando Botero no Parque San Antonio. Foto: Medellín Travel.

HOJE, POSSO DIZER QUE AS EXPECTATIVAS FORAM SUPERADAS!

Cheguei à cidade no final da tarde, no aeroporto internacional José Maria Córdova, que fica no município de Rio Negro, a 35km do centro de Medellín. Existe um outro aeroporto no centro da cidade, o Olaya Herrera, mas que só funciona para vôos regionais.

Eu não tinha cash. Nem para trocar. Nem me perguntem o porquê. Só estava com o meu cartão de crédito e, ainda, American Express, que não é assim… o mais aceito. Não me perguntem por quê! Então fui ao posto de informação e perguntei se os táxis aceitariam tarjeta de credito. Bom, a resposta foi sim! Só que não!

Bom após várias idas e vindas consegui pagar com cartão de crédito o valor de 75 mil COP, que é o preço desde o aeroporto até o centro da cidade. O COP é o peso colombiano e 650 COPS correspondiam em outubro de 2018 a 1 real. E finalmente saímos do aeroporto em direção ao Hotel Atton, reservado para mim pelo Instituto Smart City Business America.

Vista da janela do quarto do Hotel Atton, Medellín. Patricia Servilha

Vista da janela do quarto do Hotel Atton, Medellín. Patricia Servilha

O hotel é muitíssimo novo, o motorista não conhecia. Ele também não tinha nenhum tipo de GPS ou internet, não conhecia o endereço e parou 4 vezes no caminho para perguntar. Nem era muito gentil. Mas chegamos, com chuva - conforme já estava previsto. Para minha surpresa, quando cheguei ao quarto, o final da tarde me brindou com essa vista maravilhosa, o céu clareando. E ainda recebi flores do meu querido marido.

O hotel é bem bonito - aquela aparência de uma limpeza exemplar e tudo impecável. Sobre a cama, material turístico da cidade, fornecido pela Prefeitura, e uma internet maravilhosa em todos os espaços.

Fotos: Patricia Servilha

Além disto, o hotel está anexo a um shopping, o centro comercial El Tesoro, no bairro de El Poblado. Quando a sua viagem combina trabalho e lazer, é sempre muito bom ter uma certa infraestrutura para aquelas necessidades emergenciais, em geral femininas.

Tem loja de câmbio, salão de cabeleireiros, cinema, restaurantes e lojas de alto padrão internacionais. Estava mais frio do que eu havia imaginado, e já fui rapidinho comprar uma pashmina preta. Básico. As vitrines, em outubro já estão decoradas, um pouco como acontece por aqui, no Brasil.

E, na Colômbia, eles tem uma festa no dia 30 de novembro denominada “Fiesta de Las Luces”, que inaugura o período de Natal e Fim de Ano. Vocês lembram da homenagem feita para os jogadores de futebol da Chapecoense? Bom, foi nesse dia. Ainda vou falar sobre isso.

Aeroporto Internacional, em Rio Negro, Centro Comercial El Tesoro, no bairro El Poblado, que fica em uma das colinas no entorno de Medellín. Fotos Patricia Servilha e cortesia Medellín Travel.

O bairro de El Poblado é bem bonito, arborizado e poderíamos comparar com os Jardins, em São Paulo ou mais com a Savassi, em Belo Horizonte. Só que fica literalmente nas alturas! Os hotéis e restaurantes mais charmosos ficam ali, em uma parte que eles chamam de “Zona Rosa”.

Medellín, junto com mais 9 municípios vizinhos, fica em um vale, o Valle de Aburrá, que é cruzado pelo Río Medellín no sentido Norte - Sul. Tem duas linhas de Metrô, terminal Norte e terminal Sul, que levam o turista a quase todos os atrativos turísticos. O valor é 2.300 COPs, e abrange a utilização dos metrocables. Combinado a táxis, eu pude chegar à cidade toda, porque o valor é bem acessível. Aliás, o transporte público é uma das características mais importantes da cidade. Para eles, não é só questão de logística, mas de cidadania.

O Metrô é de superfície, porque o subsolo tem muita água. Está todo integrado com os Metrocables. Fotos: Patricia Servilha.

O Metrô é de superfície, porque o subsolo tem muita água. Está todo integrado com os Metrocables. Fotos: Patricia Servilha.

Como eu estava participando de forma ativa no congresso, coordenando os temas de cultura e turismo inteligente, não tinha muito tempo livre para visitar a cidade, mas como é tudo muito prático e eficiente, não foi difícil me organizar. O mais complicado foi que, em todas as tardes, chovia. Bastante!

Medellín é conhecida por ser a cidade da eterna primavera mas outubro é o mês mais úmido na região de Antioquia.

Assim, na primeira tarde, decidi fazer o Turibus, o city tour do centro histórico, que funciona conforme o sistema internacional Hop On Hop Off, em que se pode subir e descer livremente em cada uma das 7 paradas do roteiro que eu escolhi. O ticket tem a duração de 24 ou 48 horas. Eu escolhi o de 24 horas por $40.000 COP.

O Tour é operado por veículos de dois pisos, mas um Turibus tipo Tranvía e ocasionalmente um ônibus normal podem ser utilizados. Teoricamente, entre as 9:30 a.m. a 6:20 p.m, o Turibus estará passando constantemente. Esse constantemente é um intervalo de mais ou menos 1 hora. Em cada parada existem os horários disponíveis.

A cidade tem uma sinalização turística muito bem estruturada e isto inclui as paradas para o Hop on e Hop off do Bus. Também existem 20 pontos de informação digital e outros tantos físicos nos locais estratégicos para o visitante.

Centro de Convenções Plaza Mayor, a saída do Turibus, em frente ao Museu da Água, no Parque Pies Descalzos. Ponto de Encontro e Turiparada em frente ao Hotel Nutibara. Fotos: Patricia Servilha

O tour é panorâmico, mas tem “Turiparadas” de até 15 minutos para que seja possível descer e conhecer os locais, tirar fotos, comprar agasalhos, guarda chuva, etc. A minha saída era a mais próxima - caminhei 3 minutos - que inclui a visita ao Parque de los Pies Descalzos que, de acordo com a guia é um “Remanso de tranquilidad en el centro de Medellín”. Ali é realmente agradável poder desfrutar do jardim zen, bosque de “guaduas”, caminhar descalço pela areia e sentir os jatos de água das fontes nos pés exaustos. O parque tem cafeterias, restaurante e “kiosko” de jornais e revistas. É atrás do Museo del Agua.

Mapa: cortesia Turibus

Mapa: cortesia Turibus

Eu comecei às 13h40 e dali fizemos o seguinte roteiro: Cerro Nutibara, Mercado del Rio, Plaza Botero, Parque de Los Deseos, Estadio e retorno. Terminei às 17h00 voltando a Plaza Mayor.

O Cerro Nutibara é um parque com trilhas e mirantes em 33 hectares que, desde 2009, é uma área protegida. Deve ser lindo, mas desde o sol da manhã, este foi o momento ápice da chuva. No alto está o Pueblito Paisa e o Museu da Cidade.

Ali, em uma das lojinhas que vendem artesanato, eu consegui comprar um guarda chuva por 16 mil COPs. Como eles só aceitam cartão para valores acima de 20 mil COPs, comprei também umas balinhas de café… colombiano, claro!

No Pueblito Paisa também tem cafés e restaurantes. Eu visitei a igrejinha e corri de volta para o ônibus. Não sei se vale a visita, pois com aquele dilúvio certamente foi impossível aproveitar a vista do mirante. O Pueblito Paisa, por sua vez, é a réplica de um “pueblo antioqueño” com a praça rodeada pelos edifícios da igreja, prefeitura.

Tudo é muito menor do que as fotos sugerem e fica um pouco cenário de feira de turismo.

Pueblito Paisa. Foto: Medellín Travel

Pueblito Paisa. Foto: Medellín Travel

A partir daí, já munida de guarda-chuva, fomos em direção ao local que eu tinha mais vontade de conhecer: a Plaza Botero. É uma praça onde estão distribuídas 23 obras de Botero*, doadas pelo mesmo à cidade. E chovia!!! Mas é um espetáculo ver todas aquelas obras de arte juntas. Dá pra aguentar de tão lindo?!

* Fernando Botero (1932) é um artista plástico colombiano de estilo figurativo que se consagrou mundialmente com seus personagens volumosos, tanto em suas pinturas e desenhos, como também em suas esculturas.

Palácio de la Cultura, Plaza Botero. Foto: Medellín Travel. Esculturas de Botero. Fotos: Patricia Servilha

Nessa praça tem o Palácio de la Cultura (que parece uma igreja) e o Museu de Antióquia, este não pude visitar. A região em si é muito parecida com o centro de São Paulo, tipo Praça da República, sabe?!

Em seguida paramos na Plaza de los Deseos, um lugar muitíssimo interessante!

Parque de los Deseos. Foto: Medellín Travel.

Parque de los Deseos. Foto: Medellín Travel.

O Parque de los Deseos fica na Zona Carabobo Norte, já fora do centro da cidade. Ali, em 12 mil m² encontramos atividades lúdicas ligadas à física e astronomia de forma a que possam entender o impacto dos elementos sobre a água, a energia e as comunicações.

As atividades são sempre gratuitas e incluem cinema ao ar livre, concertos e inúmeras outras atrações. A Casa de La Musica permite que os visitantes conheçam e interajam com as manifestações sonoras. Nossa visita foi na parte externa, mas permitiu que os turista no Turibus pudessem fazer fotos.

Parque de los Deseos. Fotos: Patricia Servilha.

O Parque de los Deseos foi construído pela EPM, Empresas Públicas de Medellín e pela prefeitura em 2003 e hoje é o centro de encontro de toda a população do Valle de Aburrá.

Eu não tive a oportunidade de experimentar tudo, mas fiquei bem interessada nas atividades do Parque que, de acordo com a nossa guia do Turibus, “ofrece 8 atracciones lúdicas diferentes, que dan testimonio de los sueños, los deseos y los logros de la humanidad en diferentes épocas: helióstato, réplica observatorio Muisca, mundo de los vientos, esfera celeste, voces a distancia, reloj solar, eclipse y asoleamiento en Medellín. permitiendo al visitante conocer o recordar estos primitivos sistemas”.

Dali fomos em direção às duas ultimas paradas: o Mercado del Rio e o Estádio. Neste momento já chovia um pouco mais e não descemos no Mercado (pelas fotos e informações que vi, parece ser muito interessante). No caminho passamos por vários outlets que dão a Medellín o status de cidade de compras de Antióquia.

Estadio. Foto: Medellín Travel.

Estadio. Foto: Medellín Travel.

Também não conheci, mas tenho certeza de que teria valido a pena: Parque Explora, Planetário e o Jardim Botânico. Estão junto com a Cidade Universitária e outros atrativos na Zona Carabobo, no norte de Medellín.

Parque Explora. Foto: Medellín Travel.

Parque Explora. Foto: Medellín Travel.

Para concluir, Medellín é realmente uma cidade que soube se reinventar por meio de um processo de transformação que já dura duas décadas, e ainda tem muitos anos pela frente. Mas renasceu das cinzas, como uma Fênix. E se converteu em um modelo de recuperação urbana e social que é referência de âmbito global.

Orquideorama, no Jardim Botânico. Foto: Medellín Travel.

Orquideorama, no Jardim Botânico. Foto: Medellín Travel.

Eu ainda visitei algumas comunas e projetos de Parques Bibliotecas e experimentei a degustação de 9 pratos no restaurante El Cielo. Estes temas serão um trabalhinho para outros posts.

Mas ficaram muitos locais que pareceram super interessantes para conhecer, como a Fiesta de los Silleteros, Festa das Flores e outros momentos considerados mágicos em Antióquia.

Tenho que voltar!

SMART CITY CONGRESS & EXPO NA COLÔMBIA: TURISMO INTELIGENTE EM MEDELLÍN

Por não saber o que fazer em Medellín, muita gente deixa a cidade de fora de seu roteiro pela Colômbia. Eu mesma quando trabalhei em Bogotá em 2009, aproveitei para conhecer o que? Obviamente Cartagena e San Andrés! Não conheci Medellín e nem pensei nisso como uma possibilidade.

Medellín, com um passado violento, já foi a cidade mais perigosa do mundo nas décadas de 80 e 90, mas em um período de 20 anos renasceu das cinzas, sendo hoje considerada uma das cidades mais inovadoras e agradáveis da América Latina. A cidade está na moda e, uma vez na Colômbia, conhecê-la é obrigatório para qualquer viajante.


Biblioteca EPM - foto: Câmara de Comércio de Medellín

Biblioteca EPM - foto: Câmara de Comércio de Medellín

 A cidade tem pouco mais de 2,2 milhões de habitantes e um clima agradável todo o ano. É a segunda cidade mais importante da Colômbia e um dos lugares com maior oferta turística do país. Por isso é considerada a Cidade da Eterna Primavera.

Muitos dos turistas que vão até Medellín hoje, estão atrás de uma das duas coisas, mas podem interessar-se por ambas, tendo em vista a profusão de filmes e seriados que ressaltam o passado sombrio da cidade:

Para mim, mais importante é ver as inovações que o Projeto Urbano de Medellín incorporou à cidade, que rendeu prêmio internacional por sua transformação urbana em 2016, sendo eleita a mais inovadora do mundo. Medellín é a única cidade colombiana a ter um sistema de metrô e a ele são conectados bonde elétricos e teleféricos (metrocable) que tornam o sistema acessível a quem mora na periferia…

Ou conhecer os locais por onde passou “o famoso narcotraficante”, especialmente após o “revival” recente ocasionado pelo seriado Narcos, da Netflix. A série fez ressurgir um interesse turístico sobre o passado sombrio da cidade que muitos colombianos querem esquecer…

E, culturalmente Medellín é uma cidade diferente de todas as outras vistas na Colômbia. Grande parte de sua população é formada por “paisas”, um grupo étnico que surgiu da mistura de judeus espanhóis e bascos, além de indígenas.

Medellín funciona como a capital da região de Antioquia, onde é possível ver essa cultura única, com hábitos diferentes que vão desde o comportamento de seus habitantes à culinária. 

Em abril deste ano, eu tive o privilégio de mediar duas mesas sobre turismo durante o último congresso Smart City Business America, em São Paulo. Após seis edições, foi a primeira vez que o tema fez parte da programação do evento. Nada mais justo, afinal o turismo é uma atividade econômica transformadora, essencial na pauta do planejamento das cidades (inteligentes ou em vias de se alcançarem esse status).

Na verdade, há quase duas décadas tenho me debruçado sobre a questão do planejamento turístico como ferramenta essencial para o desenvolvimento sócio-econômico. Ele é o primeiro passo para que a cidade alcançar a posição de destino empoderado, ou sejam, aquele que toma para si as rédeas do destino turístico. 

Sempre fora um caminho árduo convencer os planejadores sobre a importância de se identificar oportunidades, mapear pontos de interesse, estimular pequenos empreendedores e mais ofertas de serviços, qualificar mão-de-obra, divulgar as atrações. Hoje, o assunto se tornou, felizmente, tema de plataformas políticas: candidatos às próximas eleições gerais estão levando até a população propostas que colocam a atividade turística em destaque.  

O turismo inteligente que dirigentes políticos conectados com a modernidade querem incentivar é aquele que cria empregos, resgata a cidadania, valoriza a cultura e preserva a sustentabilidade. É aquele que convence novas e maduras gerações de que vale a pena usufruir os atrativos regionais, em harmonia com a natureza e a comunidade em seu entorno.

Essas e outras tendências serão apresentadas durante o evento Smart City Business Medellín Congress & Expo, entre os dias 16 e 18 de outubro, na Colômbia. Eu estarei discutindo com profissionais de vários lugares do mundo as mudanças que a tecnologia poderá implementar para trazer mais sustentabilidade, conforto para o turista e bem estar para as comunidade locais.

Também vou conhecer Medellín e contar porque a cidade está “de moda”!

ROMA: 4 DIAS NA CIDADE MAIS SINGULAR DA EUROPA - 1º DIA
Foto de Mark Freeth - "Rome The Eternal City"

Foto de Mark Freeth - "Rome The Eternal City"

Não é novidade nenhuma a minha paixão por história. Guerras, conquistas, revoluções... tudo isso me dá sede de aprender cada vez mais! E Roma é a essência da história ocidental. Poderíamos até afirmar que tudo e todos passaram por ali. 

Quando tive a primeira oportunidade de visitar a Itália há 30 anos, após uma temporada gelada de estudos na França, fiquei tão ansiosa querendo ver tudo e visitar todos os museus, igrejas, praças e obras de arte públicas e privadas, que tive uma experiência mais superficial. Daquele tipo “colecionadora de monumentos”! Depois, eu até voltei algumas vezes, mas sempre rápido ou a trabalho e aproveitava para ver uma coisa aqui e outra ali.

Hoje, aprendi que os lugares não vão sair do lugar, só ficarão mais cheios. E quando viajo a destinos que têm muitos atrativos interessantes, procuro fazer um corte temático e aprofundar-me em alguma coisa, de forma a ter um mergulho mais completo naquela cultura.

Recomendo, em Roma, pelo menos quatro dias, para poder fazer um roteiro com tranquilidade.

Na última vez, a primeira coisa que escolhi foi um hotel bem localizado, nada sofisticado, mas com jeito de villa italiana. Vi a sugestão do hotel La Residenza no blog do Ricardo Freire e segui a dica. E é importante considerar que Roma no inverno tem temperaturas agradáveis, especialmente quando faz sol. Assim, é uma combinação perfeita para antes ou depois das temporadas de esqui, nos Alpes franceses ou nas Dolomitas, que ficam na própria Itália.

 

Imagem feita por mim, nos Museus Capitolinos, da famosa “lupa capitolina”, escultura de bronze da loba amamentando Rômulo e Remo, tradicionalmente considerados os fundadores da cidade.

Imagem feita por mim, nos Museus Capitolinos, da famosa “lupa capitolina”, escultura de bronze da loba amamentando Rômulo e Remo, tradicionalmente considerados os fundadores da cidade.

 

A fundação da cidade está ancorada no mito de Remo e Rômulo, que teriam sido criados por uma loba. Mas também existem indícios, mais óbvios e lógicos, de que tenham sido crianças abandonadas durante batalhas e encontrados por um senhor que era casado com uma mulher que tinha um perfil de loba. Bom, o fato é que existem muitos livros e teses sobre isso, mas também que essa imagem, dos irmãos sendo alimentados por uma loba é disseminado por toda a cidade.

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Mas, o período que mais me encanta é a Roma Imperial. Tudo começa após quase vinte anos de guerra civil a partir da morte de Júlio Cesar. E todos os acontecimentos deixaram muitas marcas pela cidade. Eu li dois livros, bastante romanceados, sobre Roma. Eles são uma leitura leve que dá uma ótima noção da história de Roma, para quem não é e não quer ser historiador. O autor é Steven Saylor. O primeiro volume cobre o período que vai de 1.000 a.C até 1 a.C. e o segundo todo o período Imperial.

Apesar de a Roma Imperial ser o meu período preferido, é fundamental ao visitar Roma, deixar-se levar pelas inúmeras obras de arte e arquitetura antiga e contemporânea, moda, restaurantes, pessoas, italianos e italianas, cafés e vistas deslumbrantes. Então, organize o seu roteiro, mas procure olhar além do óbvio, e poderá descobrir atrativos e lugares vibrantes e inéditos! Aquela lista de restaurantes recomendados é indispensável. Mas parar em um lugarzinho inusitado e desconhecido, com uma pequena fila de jovens na porta, pode ser o início de uma pequena aventura para conhecer os lugares que os moradores de Roma costumam frequentar.

 

Resumindo, recomendo a fórmula italiana que, na minha opinião, é uma combinação de planejamento e relaxamento, um pouco de cada!

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O inverno é florido em Roma

O acesso aos Museus Capitolinos é feito por meio de uma escada pouco íngreme, ladeada por esculturas.

Foto: Patricia Servilha. Ao fundo, o edifício rosado dos Museus Capitolinos.

 

Roma é uma cidade que foi povoada por entre sete colinas e o Rio Tevere. Os Museus Capitolinos ficam no topo de uma delas, o Monte Capitolino, de onde recebem seu nome.

Roma, Campidoglio, Musei Capitolini - Foto de Mauro C.

Roma, Campidoglio, Musei Capitolini - Foto de Mauro C.

A colina do Capitólio é uma das colinas históricas que estão associadas à fundação e a história de Roma. Ali, durante o Império Romano, ficava o Templo de Júpiter, cujas fundações podem ser vistas hoje dentro dos museus.

Os Museus Capitolinos foram inaugurados em 1734, mas sua coleção já havia sido iniciada com o papa Sisto IV no século XV, que doou ao povo romano estátuas de bronze que foram achadas em Roma e levadas à Basílica de São João Latrão. Com o tempo, outras obras foram incorporadas à coleção, que hoje é uma das mais significativas do mundo.

Roma, Basilica di San Giovanni in Laterano (Basílica de São João Latrão), Porticus - Foto de Polybert

Roma, Basilica di San Giovanni in Laterano (Basílica de São João Latrão), Porticus - Foto de Polybert

Conhecer os principais feriados públicos e eventos na Itália podem ajudar a escolher um período de estadia menos procurado pelos próprios italianos: 
- em Janeiro: Ano Novo (dia 1) / Epifania (dia 6) 
- em Fevereiro: Festa de Racchettinvalle: uma corrida amigável de raquetes de neve que atrai participantes, não só de Itália, mas de todo o mundo  
- em Março: Semana cultural por Itália: museus, sítios e monumentos estatuais são grátis (entre o final de Março até ao começo de Maio) / Páscoa (Março ou Abril) 
- em Abril: dia da Libertação (dia 25) 
- em Maio: dia do Trabalhador (dia 1) 
- em Junho: Festival das Flores em Piazza Lantelme / Festa della Republica (dia 2) 
- em Agosto: dia Assunção da Virgem Maria (dia 15) / Festa de Ghironda: um instrumento local, feito na aldeia de Pragelato
- em Novembro: Dia de todos os Santos (dia 1) / Festival da Unidade Nacional (dia 5)
- em Dezembro: Dia da Imaculada Conceição (dia 8) / Dia de Natal e de Santo Estevão (dias 25 e 26) / Capod'anno (dia 31)

 

... continua!

CHICAGO PARTE 1: TEM SEMPRE ALGO NOVO PARA CONHECER!
O contraste entre o tradicional e o contemporâneo é a cara da cidade!

Foto feita por mim, Patricia Servilha

Sou uma apaixonada confessa por Chicago. Já visitei inúmeras vezes e sempre descubro alguma coisa que deixei passar em uma viagem anterior.

Começando que é uma metrópole muito diferente de Nova York, tão interessante quanto, mas menos populosa e menor territorialmente, e, ainda assim, com lugares e pontos turísticos incríveis. O que mais impressiona qualquer um que a visita é a arquitetura.

 
Fim de tarde na  Magnificent Mile,  em foto feita por mim, junto ao  Water Tower Place , um shopping bem tranquilo.

Fim de tarde na Magnificent Mile, em foto feita por mim, junto ao Water Tower Place, um shopping bem tranquilo.

Como muitos já sabem, mas que é importante ressaltar, em meados de 1870, enquanto crescia exponencialmente, houve um imenso incêndio com início em um estábulo na região sul da cidade que foi espalhado graças aos fortes ventos. Praticamente todas as casas, lojas e até mesmo ruas de Chicago eram de madeira. Como resultado, cerca de trezentas pessoas morreram e mais de 95 mil ficaram desabrigadas. Isso fez com que os governantes traçassem um planejamento para a reconstrução urbana, que contou com nome de renomados arquitetos como Frank Lloyd Wright e Mies Van Der Rohe, transformando a cidade na espetacular Chicago que conhecemos hoje.

São necessários poucos dias para conhecer a cidade, porque é uma cidade pequena, pelo menos para quem vive em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. Mas recomendo pelo menos 4 noites. Em poucas milhas quadradas, você encontra de tudo: lojas, museus, restaurantes, parques. Além disso, há a incrível oportunidade de conhecer os primórdios da bolsa de mercadorias dos Estados Unidos.

E, dependendo de qual seja o objetivo (família, lua de mel, casal), tem atividades  para todos.

Chicago também é conhecida por “Cidade dos Ventos” (Windy City)então imagine só como deve ser durante o inverno? Repito, muito frio! E por isso nas estações de outono e inverno não dá para ficar flanando pelas ruas sem uma programação minimamente organizada. Se você errar uma quadra, pode perder preciosidades como obras de Alexander Calder ao ar livre!

 
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Escultura de Alexander Calder, no downtown, imperdível, em foto feita por mim.

 

Eu recomendo começar visitando a Chicago Architecture Foundation - CAF, onde é possível saber tudo sobre arquitetura da cidade, comprar mapas, livros maravilhosos e ver a maquete da cidade, que ajuda a entender bem a sua urbanização.

A Chicago Architecture Foundation oferece mais de 85 tipos de tours, seja em downtown ou nos arredores da cidade. Visitas a edifícios icônicos, hotéis e as casas projetadas por Frank Lloyd Wright podem ser feitas em vários tours. Visite o site com antecedência para ver o que será oferecido na época da viagem!

 
Foto de Aureliano Mendes, feita na Chicago Architecture Foundation.

Foto de Aureliano Mendes, feita na Chicago Architecture Foundation.

Por isso, para aproveitar cada canto de Chicago, optamos na última viagem, era inverno, por contratar um serviço de tour - walking tour arquitetônico, porque a riqueza é tão grande, que é importante estar atento a tudo e ter uma interpretação adequada. Eles oferecem as visitas em vários meios de transporte: a pé, de barco, de ônibus e trem, bicicleta e até segway (que é aquele meio de transporte de duas rodas lado a lado que os seguranças dos shoppings usam).

Passar algum tempo contemplando o Lake Michigan é um dos meus programas favoritos em qualquer época do ano. 

Foto feita por Aureliano Mendes com a vista Lake Michigan, em um dia de inverno, muito frio, mas com muito sol!

Foto feita por Aureliano Mendes com a vista Lake Michigan, em um dia de inverno, muito frio, mas com muito sol!

 

E, depois, o que não falta na cidade é lugar para comer e ouvir música.

Mesmo tendo ofertas de vários tipos de comidas do mundo, experimentar um prato típico ainda é o mais legal para se fazer. A chamada Deep Dish Pizza é um dos pratos mais comuns de se encontrar nos restaurantes de Chicago. É uma pizza que mais se parece com uma torta – é muito recheada. Dizem que o sabor é incrível, mas me parece muito junk food norte-americana. Com certeza não é o meu prato predileto. E, aos 50, já aprendemos que uma alimentação saudável dá mais energia para manter o pique!

 
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E quanto à música, existem muitas opções tradicionais, turísticas e alternativas. Dentre todos, foi o Andy Jazz que nos proporcionou um show, como vemos na foto ao lado. Ainda vou escrever um post apenas sobre casas e bares de jazz.

Chicago é muito desenvolvida e isso se reflete na área cultural que, junto à arquitetura, é o paraíso para os loucos  por museus, como eu. 

Em muitos lugares que visitei, pude encontrar vitrais da Tiffany espalhados por edifícios, principalmente no Chicago Cultural Center, local que oferece espetáculos gratuitos para todos os públicos. O Jay Pritzker Pavilion é um teatro a céu aberto, recebe diariamente apresentações artísticas, concertos e shows.

E há também o Art Institute, o meu museu de arte preferido, que reserva um acervo riquíssimo com nomes de Van Gogh, Picasso, Monet, Renoir, El Greco e muitos outros, incluindo a nossa amada Tarsila do Amaral!

A foto ficou meio enviesada, mas é que não sou especialista em fotografar.

A foto ficou meio enviesada, mas é que não sou especialista em fotografar.

E claro, não podia deixar de destacar o Field Museum, que é um museu de história natural.  É aquele famoso que conta com o mais completo fóssil de Tiranossauro Rex já encontrado no mundo. Além disso, traz diversas e muitas - é enorme - partes da história natural de Chicago e do mundo. E nesse quesito mais científico, o Adler Planetarium é um espaço interativo, perfeito para crianças e adultos interessados no espaço infinito.

Vou continuar escrevendo sobre Chicago, mas preciso ressaltar aqui um dos serviços que mais me agradou na última viagem: o Virgin Hotels.

Em geral não nomeio os serviços porque acredito que tem que ser sempre bons. Mas alguns, que surpreendem, merecem minha admiração e comentários. Super bem localizado e instalado em um edifício antigo, patrimônio que foi restaurado. Está no Loop,  e é possível dali ir a pé ao Milleniun Park ou à Magnificent Mile.

Ah, e o banheiro é enorme, super claro! Odeio aqueles banheiros de hotel escuros, com carinha de mal limpo! 

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O hotel é tudo o que aparece no site, com uma relação custo benefício muito boa. Oferecem um automóvel Tesla, com motorista, para levar os hóspedes aos restaurantes, e este serviço é uma cortesia. 

Porta do quarto do  Virgin Hotel,  com um amigo fiel esperando a nossa chegada

Porta do quarto do Virgin Hotel, com um amigo fiel esperando a nossa chegada

 Mas por ora fico por aqui, e deixo vocês com água na boca para o próximo post.