MEDELLÍN: A FÊNIX DA AMÉRICA LATINA

Plaza Botero e Palácio de La Cultura. Foto:    Medellín Travel   .

Plaza Botero e Palácio de La Cultura. Foto: Medellín Travel.

EU FUI À COLÔMBIA DE 10 A 20 DE OUTUBRO, COMBINANDO A PARTICIPAÇÃO COMO CONFERENCISTA NO SMART CITY BUSINESS MEDELLÍN CONGRESS & EXPO, EM MEDELLÍN E UMA PASSADINHA EM CARTAGENA. NO POST ANTERIOR COMECEI A RELATAR UM POUCO SOBRE AS EXPECTATIVAS PARA ESSA VIAGEM.

Obra de Fernando Botero no Parque San Antonio. Foto:    Medellín Travel   .

Obra de Fernando Botero no Parque San Antonio. Foto: Medellín Travel.

HOJE, POSSO DIZER QUE AS EXPECTATIVAS FORAM SUPERADAS!

Cheguei à cidade no final da tarde, no aeroporto internacional José Maria Córdova, que fica no município de Rio Negro, a 35km do centro de Medellín. Existe um outro aeroporto no centro da cidade, o Olaya Herrera, mas que só funciona para vôos regionais.

Eu não tinha cash. Nem para trocar. Nem me perguntem o porquê. Só estava com o meu cartão de crédito e, ainda, American Express, que não é assim… o mais aceito. Não me perguntem por quê! Então fui ao posto de informação e perguntei se os táxis aceitariam tarjeta de credito. Bom, a resposta foi sim! Só que não!

Bom após várias idas e vindas consegui pagar com cartão de crédito o valor de 75 mil COP, que é o preço desde o aeroporto até o centro da cidade. O COP é o peso colombiano e 650 COPS correspondiam em outubro de 2018 a 1 real. E finalmente saímos do aeroporto em direção ao Hotel Atton, reservado para mim pelo Instituto Smart City Business America.

Vista da janela do quarto do Hotel Atton, Medellín. Patricia Servilha

Vista da janela do quarto do Hotel Atton, Medellín. Patricia Servilha

O hotel é muitíssimo novo, o motorista não conhecia. Ele também não tinha nenhum tipo de GPS ou internet, não conhecia o endereço e parou 4 vezes no caminho para perguntar. Nem era muito gentil. Mas chegamos, com chuva - conforme já estava previsto. Para minha surpresa, quando cheguei ao quarto, o final da tarde me brindou com essa vista maravilhosa, o céu clareando. E ainda recebi flores do meu querido marido.

O hotel é bem bonito - aquela aparência de uma limpeza exemplar e tudo impecável. Sobre a cama, material turístico da cidade, fornecido pela Prefeitura, e uma internet maravilhosa em todos os espaços.

Fotos: Patricia Servilha

Além disto, o hotel está anexo a um shopping, o centro comercial El Tesoro, no bairro de El Poblado. Quando a sua viagem combina trabalho e lazer, é sempre muito bom ter uma certa infraestrutura para aquelas necessidades emergenciais, em geral femininas.

Tem loja de câmbio, salão de cabeleireiros, cinema, restaurantes e lojas de alto padrão internacionais. Estava mais frio do que eu havia imaginado, e já fui rapidinho comprar uma pashmina preta. Básico. As vitrines, em outubro já estão decoradas, um pouco como acontece por aqui, no Brasil.

E, na Colômbia, eles tem uma festa no dia 30 de novembro denominada “Fiesta de Las Luces”, que inaugura o período de Natal e Fim de Ano. Vocês lembram da homenagem feita para os jogadores de futebol da Chapecoense? Bom, foi nesse dia. Ainda vou falar sobre isso.

Aeroporto Internacional, em Rio Negro, Centro Comercial El Tesoro, no bairro El Poblado, que fica em uma das colinas no entorno de Medellín. Fotos Patricia Servilha e cortesia Medellín Travel.

O bairro de El Poblado é bem bonito, arborizado e poderíamos comparar com os Jardins, em São Paulo ou mais com a Savassi, em Belo Horizonte. Só que fica literalmente nas alturas! Os hotéis e restaurantes mais charmosos ficam ali, em uma parte que eles chamam de “Zona Rosa”.

Medellín, junto com mais 9 municípios vizinhos, fica em um vale, o Valle de Aburrá, que é cruzado pelo Río Medellín no sentido Norte - Sul. Tem duas linhas de Metrô, terminal Norte e terminal Sul, que levam o turista a quase todos os atrativos turísticos. O valor é 2.300 COPs, e abrange a utilização dos metrocables. Combinado a táxis, eu pude chegar à cidade toda, porque o valor é bem acessível. Aliás, o transporte público é uma das características mais importantes da cidade. Para eles, não é só questão de logística, mas de cidadania.

O Metrô é de superfície, porque o subsolo tem muita água. Está todo integrado com os Metrocables. Fotos: Patricia Servilha.

O Metrô é de superfície, porque o subsolo tem muita água. Está todo integrado com os Metrocables. Fotos: Patricia Servilha.

Como eu estava participando de forma ativa no congresso, coordenando os temas de cultura e turismo inteligente, não tinha muito tempo livre para visitar a cidade, mas como é tudo muito prático e eficiente, não foi difícil me organizar. O mais complicado foi que, em todas as tardes, chovia. Bastante!

Medellín é conhecida por ser a cidade da eterna primavera mas outubro é o mês mais úmido na região de Antioquia.

Assim, na primeira tarde, decidi fazer o Turibus, o city tour do centro histórico, que funciona conforme o sistema internacional Hop On Hop Off, em que se pode subir e descer livremente em cada uma das 7 paradas do roteiro que eu escolhi. O ticket tem a duração de 24 ou 48 horas. Eu escolhi o de 24 horas por $40.000 COP.

O Tour é operado por veículos de dois pisos, mas um Turibus tipo Tranvía e ocasionalmente um ônibus normal podem ser utilizados. Teoricamente, entre as 9:30 a.m. a 6:20 p.m, o Turibus estará passando constantemente. Esse constantemente é um intervalo de mais ou menos 1 hora. Em cada parada existem os horários disponíveis.

A cidade tem uma sinalização turística muito bem estruturada e isto inclui as paradas para o Hop on e Hop off do Bus. Também existem 20 pontos de informação digital e outros tantos físicos nos locais estratégicos para o visitante.

Centro de Convenções Plaza Mayor, a saída do Turibus, em frente ao Museu da Água, no Parque Pies Descalzos. Ponto de Encontro e Turiparada em frente ao Hotel Nutibara. Fotos: Patricia Servilha

O tour é panorâmico, mas tem “Turiparadas” de até 15 minutos para que seja possível descer e conhecer os locais, tirar fotos, comprar agasalhos, guarda chuva, etc. A minha saída era a mais próxima - caminhei 3 minutos - que inclui a visita ao Parque de los Pies Descalzos que, de acordo com a guia é um “Remanso de tranquilidad en el centro de Medellín”. Ali é realmente agradável poder desfrutar do jardim zen, bosque de “guaduas”, caminhar descalço pela areia e sentir os jatos de água das fontes nos pés exaustos. O parque tem cafeterias, restaurante e “kiosko” de jornais e revistas. É atrás do Museo del Agua.

Mapa: cortesia Turibus

Mapa: cortesia Turibus

Eu comecei às 13h40 e dali fizemos o seguinte roteiro: Cerro Nutibara, Mercado del Rio, Plaza Botero, Parque de Los Deseos, Estadio e retorno. Terminei às 17h00 voltando a Plaza Mayor.

O Cerro Nutibara é um parque com trilhas e mirantes em 33 hectares que, desde 2009, é uma área protegida. Deve ser lindo, mas desde o sol da manhã, este foi o momento ápice da chuva. No alto está o Pueblito Paisa e o Museu da Cidade.

Ali, em uma das lojinhas que vendem artesanato, eu consegui comprar um guarda chuva por 16 mil COPs. Como eles só aceitam cartão para valores acima de 20 mil COPs, comprei também umas balinhas de café… colombiano, claro!

No Pueblito Paisa também tem cafés e restaurantes. Eu visitei a igrejinha e corri de volta para o ônibus. Não sei se vale a visita, pois com aquele dilúvio certamente foi impossível aproveitar a vista do mirante. O Pueblito Paisa, por sua vez, é a réplica de um “pueblo antioqueño” com a praça rodeada pelos edifícios da igreja, prefeitura.

Tudo é muito menor do que as fotos sugerem e fica um pouco cenário de feira de turismo.

Pueblito Paisa. Foto: Medellín Travel

Pueblito Paisa. Foto: Medellín Travel

A partir daí, já munida de guarda-chuva, fomos em direção ao local que eu tinha mais vontade de conhecer: a Plaza Botero. É uma praça onde estão distribuídas 23 obras de Botero*, doadas pelo mesmo à cidade. E chovia!!! Mas é um espetáculo ver todas aquelas obras de arte juntas. Dá pra aguentar de tão lindo?!

* Fernando Botero (1932) é um artista plástico colombiano de estilo figurativo que se consagrou mundialmente com seus personagens volumosos, tanto em suas pinturas e desenhos, como também em suas esculturas.

Palácio de la Cultura, Plaza Botero. Foto: Medellín Travel. Esculturas de Botero. Fotos: Patricia Servilha

Nessa praça tem o Palácio de la Cultura (que parece uma igreja) e o Museu de Antióquia, este não pude visitar. A região em si é muito parecida com o centro de São Paulo, tipo Praça da República, sabe?!

Em seguida paramos na Plaza de los Deseos, um lugar muitíssimo interessante!

Parque de los Deseos. Foto: Medellín Travel.

Parque de los Deseos. Foto: Medellín Travel.

O Parque de los Deseos fica na Zona Carabobo Norte, já fora do centro da cidade. Ali, em 12 mil m² encontramos atividades lúdicas ligadas à física e astronomia de forma a que possam entender o impacto dos elementos sobre a água, a energia e as comunicações.

As atividades são sempre gratuitas e incluem cinema ao ar livre, concertos e inúmeras outras atrações. A Casa de La Musica permite que os visitantes conheçam e interajam com as manifestações sonoras. Nossa visita foi na parte externa, mas permitiu que os turista no Turibus pudessem fazer fotos.

Parque de los Deseos. Fotos: Patricia Servilha.

O Parque de los Deseos foi construído pela EPM, Empresas Públicas de Medellín e pela prefeitura em 2003 e hoje é o centro de encontro de toda a população do Valle de Aburrá.

Eu não tive a oportunidade de experimentar tudo, mas fiquei bem interessada nas atividades do Parque que, de acordo com a nossa guia do Turibus, “ofrece 8 atracciones lúdicas diferentes, que dan testimonio de los sueños, los deseos y los logros de la humanidad en diferentes épocas: helióstato, réplica observatorio Muisca, mundo de los vientos, esfera celeste, voces a distancia, reloj solar, eclipse y asoleamiento en Medellín. permitiendo al visitante conocer o recordar estos primitivos sistemas”.

Dali fomos em direção às duas ultimas paradas: o Mercado del Rio e o Estádio. Neste momento já chovia um pouco mais e não descemos no Mercado (pelas fotos e informações que vi, parece ser muito interessante). No caminho passamos por vários outlets que dão a Medellín o status de cidade de compras de Antióquia.

Estadio. Foto: Medellín Travel.

Estadio. Foto: Medellín Travel.

Também não conheci, mas tenho certeza de que teria valido a pena: Parque Explora, Planetário e o Jardim Botânico. Estão junto com a Cidade Universitária e outros atrativos na Zona Carabobo, no norte de Medellín.

Parque Explora. Foto: Medellín Travel.

Parque Explora. Foto: Medellín Travel.

Para concluir, Medellín é realmente uma cidade que soube se reinventar por meio de um processo de transformação que já dura duas décadas, e ainda tem muitos anos pela frente. Mas renasceu das cinzas, como uma Fênix. E se converteu em um modelo de recuperação urbana e social que é referência de âmbito global.

Orquideorama, no Jardim Botânico. Foto: Medellín Travel.

Orquideorama, no Jardim Botânico. Foto: Medellín Travel.

Eu ainda visitei algumas comunas e projetos de Parques Bibliotecas e experimentei a degustação de 9 pratos no restaurante El Cielo. Estes temas serão um trabalhinho para outros posts.

Mas ficaram muitos locais que pareceram super interessantes para conhecer, como a Fiesta de los Silleteros, Festa das Flores e outros momentos considerados mágicos em Antióquia.

Tenho que voltar!